Osvaldo Filho - Nov.09
Além das eras, uma realidade
Flui antes dos tempos, na infinidade
A busca do Pai, antecipadamente
Desde a eternidade – por um Mediador
Pois a raça humana, e toda a criação
Que Ele então criara para o seu prazer
Estava agora e para sempre destinada
Ao furor da ira e da condenação
E no Plano Eterno, bem antes das eras
O Filho Amado, a Rocha dos tempos
Vendo a humanidade que se esaspera
Se apresenta ao Pai, todo obediente
Para se tornar a nossa salvação
Ele, o Deus vivo, a fonte da vida
A base primária de toda existência
Deixa para trás a sua excelência
E rende a sua vida – em humilhação
E no mundo escuro, o Sol da Justiça
Ilumina o céu com todo esplendor
E sobre quem a sua luz desponta
Estará para sempre livre da afronta
Livre do pecado, da condenação
Pois Jesus, o Filho, o Cordeiro eterno
Com gestos gentis, amor sempiterno
Abre-lhe o caminho, o curso da vida
Uma Nova vida, a transfiguração,
Ele se importou com a minha vida
Bem antes que os mares rugissem na praia,
Antes que as estrelas achassem suas raias
Antes que o universo seguisse sua lida
Desde aquele tempo, os tempos eternos
Deus pensou em mim, um pobre coitado
Que lhe deu trabalho com tantos pecados
Sim, o Deus Eterno, o Todo-Poderoso
Com pensamentos mais que graciosos
Deu-me, dos presentes, o mais precioso
Seu Filho, a dádiva da própria Vida
Para que eu pudesse, com a Sua morte
Ter a minha vida, enfim, redimida.
Ele, que é Deus, o Ancião de Dias
O Alfa e o Omega, Princípio e Fim
Não sei, realmente, o que viu em mim
Que lhe fui a causa de tantos problemas...
E o meu coração tenta, com fonemas
Com todos os meios, até com poemas
Dar profundidade ao que não tem fim
E agora tudo o que eu mais anseio
É, da caminhada, não perder o trilho
Para que eu também me torne a dádiva
Que o Pai anela oferecer ao Filho
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
SER INTEIRO É MELHOR QUE SER METADE
OHSFilho
A idéia de buscar em alguém o remédio para nossas infelicidades, sejam elas passadas ou presentes, é carga pesada demais para o outro carregar. É como exigir de um frágil ser humano a competência de um Deus. O amor deve partir do princípio de que preciso encontrar, primeiro, a mim mesmo, para, depois, encontrar a minha alma gêmea, que a essa altura também já deve ter-se encontrado consigo mesma.
O que vemos, muitas vezes, é uma exigência que incide até em um artifício, de deixar de ser você mesmo, abandonar suas características e se moldar ao ideal do outro. E isso não se refere ao gênero (masculino ou feminino), e sim, ao poder de manipulação, que uma pessoa tem, de querer modificar o que o outro tem de mais precioso: a sua individualidade.
Dizer que o que atrai é um ter que dar o que o outro não tem; ou ter que saber o que o outro não sabe; se um for manso, o outro deve ser bravo; se um for afável, o outro deve ser agreste; se um é romântico, o outro deve ser patético, pode até ser um idéia prática de sobrevivência, mas não há nada de prático nisso, e nem de romântico, por sinal.
A palavra de ordem é: “Sou carente e preciso ser amado,” bem amado, vale dizer. Trocamos o amor de necessidade pelo amor de carência e desejo. Gostamos e queremos ser amados e desejados, mas com uma condição: tem que ser do modo que pensamos e do jeito que queremos. E quando não o conseguimos, a frustração aumenta e, falando sério, no final das contas, nem mesmo sabemos qual a nossa verdadeira necessidade – o que é bem diferente.
Preservar sua individualidade não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não produz nada de si mesmo. Ele não tem energia própria nem mesmo para se auto-motivar. E o pior, é acaba exigindo um esforço demasiado do outro, esforço moral, mental, emocional ou espiritual.
A forma de amar, no entanto, tem sua própria conotação e significado. Visa a aproximação de dois inteiros e não a junção de duas metades. E isso só é possível para quem consegue trabalhar sua personalidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver bem consigo mesmo, mais preparado estará para uma relação afetiva a dois.
Relações de dominação, proibição ou concessões exageradas não fazem bem a ninguém. Cada cérebro é único. Cada pessoa é um indivíduo. O modo de pensar e agir de um não serve de referência para avaliar ou modificar o outro.
Muitas vezes pensamos que o outro é a nossa “alma gêmea”. E não há nada de errado nisso. Mas o nosso grande erro é que inventamos esta pessoa ao nosso gosto, e quando não sai a contento, ficamos frustrados e descontentes.
O amor entre duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação não há amarras, grilhões nem algemas. Há, sim, o aconchego, o prazer da companhia, e o respeito e o desfrute do ser amado. E quando houver falhas, faltas, deslizes ou desacordos, nem sempre é suficiente ser perdoado ou perdoar de imediato. É preciso aprender a perdoar a si mesmo primeiro, para, então, buscar uma reconciliação. Na maioria dos casos, quando sentimos raiva de quem amamos, é simplesmente para camuflar a raiva que temos de nós mesmos.
Devemos, então, aprender a ser, antes de tudo, inteiros, e só assim gozaremos de uma relação saudável com quem desejamos compartilhar o amor.
A idéia de buscar em alguém o remédio para nossas infelicidades, sejam elas passadas ou presentes, é carga pesada demais para o outro carregar. É como exigir de um frágil ser humano a competência de um Deus. O amor deve partir do princípio de que preciso encontrar, primeiro, a mim mesmo, para, depois, encontrar a minha alma gêmea, que a essa altura também já deve ter-se encontrado consigo mesma.
O que vemos, muitas vezes, é uma exigência que incide até em um artifício, de deixar de ser você mesmo, abandonar suas características e se moldar ao ideal do outro. E isso não se refere ao gênero (masculino ou feminino), e sim, ao poder de manipulação, que uma pessoa tem, de querer modificar o que o outro tem de mais precioso: a sua individualidade.
Dizer que o que atrai é um ter que dar o que o outro não tem; ou ter que saber o que o outro não sabe; se um for manso, o outro deve ser bravo; se um for afável, o outro deve ser agreste; se um é romântico, o outro deve ser patético, pode até ser um idéia prática de sobrevivência, mas não há nada de prático nisso, e nem de romântico, por sinal.
A palavra de ordem é: “Sou carente e preciso ser amado,” bem amado, vale dizer. Trocamos o amor de necessidade pelo amor de carência e desejo. Gostamos e queremos ser amados e desejados, mas com uma condição: tem que ser do modo que pensamos e do jeito que queremos. E quando não o conseguimos, a frustração aumenta e, falando sério, no final das contas, nem mesmo sabemos qual a nossa verdadeira necessidade – o que é bem diferente.
Preservar sua individualidade não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não produz nada de si mesmo. Ele não tem energia própria nem mesmo para se auto-motivar. E o pior, é acaba exigindo um esforço demasiado do outro, esforço moral, mental, emocional ou espiritual.
A forma de amar, no entanto, tem sua própria conotação e significado. Visa a aproximação de dois inteiros e não a junção de duas metades. E isso só é possível para quem consegue trabalhar sua personalidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver bem consigo mesmo, mais preparado estará para uma relação afetiva a dois.
Relações de dominação, proibição ou concessões exageradas não fazem bem a ninguém. Cada cérebro é único. Cada pessoa é um indivíduo. O modo de pensar e agir de um não serve de referência para avaliar ou modificar o outro.
Muitas vezes pensamos que o outro é a nossa “alma gêmea”. E não há nada de errado nisso. Mas o nosso grande erro é que inventamos esta pessoa ao nosso gosto, e quando não sai a contento, ficamos frustrados e descontentes.
O amor entre duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação não há amarras, grilhões nem algemas. Há, sim, o aconchego, o prazer da companhia, e o respeito e o desfrute do ser amado. E quando houver falhas, faltas, deslizes ou desacordos, nem sempre é suficiente ser perdoado ou perdoar de imediato. É preciso aprender a perdoar a si mesmo primeiro, para, então, buscar uma reconciliação. Na maioria dos casos, quando sentimos raiva de quem amamos, é simplesmente para camuflar a raiva que temos de nós mesmos.
Devemos, então, aprender a ser, antes de tudo, inteiros, e só assim gozaremos de uma relação saudável com quem desejamos compartilhar o amor.
A TERAPIA DO SILÊNCIO
Osvaldo Filho
“É bom assentar-se solitário e ficar em silêncio...”
Nossas vidas são tão corridas, tão cheias de pessoas a atender e coisas a fazer. Nossos dias são caóticos e confusos ao tentar fazer tudo. Sabemos que é preciso ter o nosso próprio espaço e tempo, e quando não conseguimos, temos vontade de fugir.
É disso que todos tentamos falar: um tempo para estar consigo mesmo. Há momentos na vida que é mais importante estar consigo mesmo do que com os outros. É tão importante estar “no seu mundo” quanto estar “no mundo”.
Mas não é fácil passar algum tempo sozinho. Achamos que estamos perdendo tempo. Há momentos em nossas vidas que preferimos não pensar, então nos mantemos ocupados. E se por acaso nos achamos sós, tendemos a ligar a televisão, o radio, ou ouvir musicas. Não estamos acostumados com o silêncio, por isso a busca incessante de algum som, ruído, vozes ou barulho.
Mas é “bom assentar-se solitário e no silêncio ouvir...”.
Quando gastamos um tempo a sós, o que encontramos dentro de nós é enorme. Podemos redescobrir quem realmente somos. Olhamos para dentro e vemos aquilo que é mais precioso e importante em nossas vidas. Somos alimentados pela fé e damos atenção aos nossos sonhos e esperanças. Encontramos uma sensação de paz que revigora e uma calma que renova.
Ao passar algum tempo sozinho você abandona as distrações do dia e entra no jardim secreto da sua alma.
É nesse lugar que a parte mais profunda do seu ser o aguarda.
É nesse lugar que tudo aquilo que você ama desabrocha, desponta e floresce.
É, também, nesse lugar que tristezas e mágoas foram plantadas, ressentimentos arraigados... e os problemas sem solução crescem como arbustos retorcidos. É preciso ser corajoso e estar disposto a ficar sozinho, observando cada detalhe do seu jardim, ainda que as imagens distorcidas não lhe agradem.
Talvez você fique surpreso, ao ver que tantas coisas que você tinha como importantes foram negligenciadas. Tome o regador e regue as flores da perseverança, e verá que, a cada dia, elas mostrarão um pouco mais da sua beleza, graça e leveza.
Você começará a abrir o emaranhado dos arbustos dos problemas, dando passagem para a luz entrar. É tudo que você pode fazer, pois arbustos e ervas daninhas sempre existirão, assim como os problemas da vida. Então pare, e em silencio, não faça nada. Apenas observe as plantas respirarem, receberem os raios do sol e o frescor da brisa.
Entre no jardim do seu ser. Cuide das lindas partes que estão crescendo ali. Plante as sementes das novas esperanças e dos sonhos duradouros. Descanse e ouça a música profunda e alegre que brota da sua alma.
Ame a vida que lhe foi confiada pelo Criador, pois, afinal, o jardim é dEle.
“Veja os lírios do campo... veja os passarinhos... recebem cuidado e alimento dAquele que os criou”, e você se sentirá pleno... não com aquilo que sempre quis, mas com a ausência do tanto querer.
A solidão restaura, e como a luz do sol faz bem às flores, no silêncio, sua alma será tocada com paz, harmonia e confiança.
E você sairá da solidão cantando uma nova melodia, a melodia do silêncio.
“É bom assentar-se solitário e ficar em silêncio...”
Nossas vidas são tão corridas, tão cheias de pessoas a atender e coisas a fazer. Nossos dias são caóticos e confusos ao tentar fazer tudo. Sabemos que é preciso ter o nosso próprio espaço e tempo, e quando não conseguimos, temos vontade de fugir.
É disso que todos tentamos falar: um tempo para estar consigo mesmo. Há momentos na vida que é mais importante estar consigo mesmo do que com os outros. É tão importante estar “no seu mundo” quanto estar “no mundo”.
Mas não é fácil passar algum tempo sozinho. Achamos que estamos perdendo tempo. Há momentos em nossas vidas que preferimos não pensar, então nos mantemos ocupados. E se por acaso nos achamos sós, tendemos a ligar a televisão, o radio, ou ouvir musicas. Não estamos acostumados com o silêncio, por isso a busca incessante de algum som, ruído, vozes ou barulho.
Mas é “bom assentar-se solitário e no silêncio ouvir...”.
Quando gastamos um tempo a sós, o que encontramos dentro de nós é enorme. Podemos redescobrir quem realmente somos. Olhamos para dentro e vemos aquilo que é mais precioso e importante em nossas vidas. Somos alimentados pela fé e damos atenção aos nossos sonhos e esperanças. Encontramos uma sensação de paz que revigora e uma calma que renova.
Ao passar algum tempo sozinho você abandona as distrações do dia e entra no jardim secreto da sua alma.
É nesse lugar que a parte mais profunda do seu ser o aguarda.
É nesse lugar que tudo aquilo que você ama desabrocha, desponta e floresce.
É, também, nesse lugar que tristezas e mágoas foram plantadas, ressentimentos arraigados... e os problemas sem solução crescem como arbustos retorcidos. É preciso ser corajoso e estar disposto a ficar sozinho, observando cada detalhe do seu jardim, ainda que as imagens distorcidas não lhe agradem.
Talvez você fique surpreso, ao ver que tantas coisas que você tinha como importantes foram negligenciadas. Tome o regador e regue as flores da perseverança, e verá que, a cada dia, elas mostrarão um pouco mais da sua beleza, graça e leveza.
Você começará a abrir o emaranhado dos arbustos dos problemas, dando passagem para a luz entrar. É tudo que você pode fazer, pois arbustos e ervas daninhas sempre existirão, assim como os problemas da vida. Então pare, e em silencio, não faça nada. Apenas observe as plantas respirarem, receberem os raios do sol e o frescor da brisa.
Entre no jardim do seu ser. Cuide das lindas partes que estão crescendo ali. Plante as sementes das novas esperanças e dos sonhos duradouros. Descanse e ouça a música profunda e alegre que brota da sua alma.
Ame a vida que lhe foi confiada pelo Criador, pois, afinal, o jardim é dEle.
“Veja os lírios do campo... veja os passarinhos... recebem cuidado e alimento dAquele que os criou”, e você se sentirá pleno... não com aquilo que sempre quis, mas com a ausência do tanto querer.
A solidão restaura, e como a luz do sol faz bem às flores, no silêncio, sua alma será tocada com paz, harmonia e confiança.
E você sairá da solidão cantando uma nova melodia, a melodia do silêncio.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
SERIAS DIFERENTE...
OHSFilho - julho/09
serias diferente
não tão saliente
menos proeminente
se não fosses tão indiferente
com a vida de tanta gente...
que sente
que, ás vezes, mente
pra disfarçar o que sente
e que forja um sorriso
quando no fundo
o seu mundo
está a desmoronar
gente temente,
gente de verdade, realmente
tem o delinqüente, eu sei
e o que fala de repente
sem parar pra pensar
mas tem tambem aquele
que fica calado, pensando...
profundamente,
matutando o que sente
pra depois se expressar
gente que se ressente
com as injustiças da vida,
dos inconseqüentes
por ai espalhados
nos Palácios e Planaltos
gente emergente
recindivante, insistente
que segue em frente
mesmo quando tudo
a puxa pra trás
gente que não pára
gente que escala
a escalada da vida
sofrida, renhida
subidas e descidas
não dá pra parar!
és indiferente
altivo, reclamante
e até prepotente.
mas não passas de gente
como a gente
que sabe o que sofrer
que chora e que sente
e que muito sorridente
diz com bocas e dentes
Vale pena viver!
serias diferente
não tão saliente
menos proeminente
se não fosses tão indiferente
com a vida de tanta gente...
que sente
que, ás vezes, mente
pra disfarçar o que sente
e que forja um sorriso
quando no fundo
o seu mundo
está a desmoronar
gente temente,
gente de verdade, realmente
tem o delinqüente, eu sei
e o que fala de repente
sem parar pra pensar
mas tem tambem aquele
que fica calado, pensando...
profundamente,
matutando o que sente
pra depois se expressar
gente que se ressente
com as injustiças da vida,
dos inconseqüentes
por ai espalhados
nos Palácios e Planaltos
gente emergente
recindivante, insistente
que segue em frente
mesmo quando tudo
a puxa pra trás
gente que não pára
gente que escala
a escalada da vida
sofrida, renhida
subidas e descidas
não dá pra parar!
és indiferente
altivo, reclamante
e até prepotente.
mas não passas de gente
como a gente
que sabe o que sofrer
que chora e que sente
e que muito sorridente
diz com bocas e dentes
Vale pena viver!
ENQUANTO ESCREVO...
ENQUANTO ESCREVO...
Por Osvaldo Honório Filho
...Reflito sobre o coração Paterno de Deus.
Passei um bom tempo da minha adolescência achando muito difícil enxergar o lado paterno de Deus, e chamá-lo de Papai era meio complicado para mim. Não sentia dificuldade alguma em reconhecê-lo e tratá-lo como Deus, de respeitar o Seu Senhorio, soberania e poder, mas dizer “meu Pai”... isso era muito difícil.
...
O porquê da dificuldade? Não sei ao certo. Talvez, porque "pai" foi para mim, por muito tempo, uma palavra sem sentido de proximidade, carinho, cuidado, proteção, exemplo... e, talvez, por ver, no meu pai terreno, apenas um progenitor, um parente (quase distante), que mal se fazia presente em casa, e muito menos na minha vida. Alguém, não só distante e ausente, mesmo sem nunca ter saído de casa, mas também, imparcial, incomunicável e... sem adoção paternal.
Não me lembro do meu pai sendo impiedoso, maligno, maldoso ou hostil comigo. Sei que ele trabalhava dobrado e, por sermos muitos filhos, ele tinha que trabalhar muito, o que fazia com que o víssemos o mínimo de tempo possível. E durante esse pouco tempo, ele estava sempre cansado, às vezes chateado, ou envolvido com alguma outra coisa. Por conta disso, não lembro dele como uma influência marcante na minha fase da minha vida infanto-juvenil. Talvez, por isso também, a minha grande dificuldade de ver Deus como Pai, por causa da carência que o meu pai deixou com sua presença ausente.
É involuntário. Tudo faz com que lembranças tão profundas venham à superfície de modo tão rápido e exposto, que mal tenho como me situar. Não vale a pena relatar. Mas o meu questionamento, ainda em criança, sendo Deus mesmo o meu Pai Eterno, por que, então, me dar pais, mais especificamente, um pai sem adoção?
Quando fui adolescendo, senti muita culpa e raiva e guardei, por muito tempo, ressentimentos profundos. Sentimentos que acompanhavam meu crescimento e que cresciam instantaneamente. Eu tentava reagir, buscar respostas... mas explicações não explicavam, e o pior é que, no final ,eu me sentia como que, pendurado num abismo sem fundo, com medo de que, se deixasse algo daquilo sair, perderia totalmente o controle de tudo. Como ver Deus como Pai, se nunca conheci alguém que me visse realmente como filho?
Eu seu que Deus entendia o que me ia na alma e, de algum modo, eu sabia que ele gostava de mim, e que, se eu deixasse, Ele seria o Pai que eu tanto precisava.
Mas, como adolescente, eu achava aquela oferta, tanto estimulante como repulsiva. Eu sempre quis um pai em quem eu pudesse confiar, mas não sabia se iria encontrá-lo. E, naquele tempo, se por ignorância ou revolta eu não sabia direito o que dizer, ou fazer. O meu desejo era, ao mesmo tempo, correr para os braços do Pai, e correr para longe do Pai.
Outra coisa que me machucava bastante foi o fato de eu ter sido estuprado aos sete anos... e não ter nem meu pai terreno nem meu Pai Eterno para me proteger naquele momento de grande pavor e terror para um ser frágil e inocente.
Como criança, a gente espera que o adulto nos ame, nos mostre o caminho, e mais que tudo, nos proteja. A gente confia nele com fidelidade e depende dele, como se ninguém mais existisse. Mas quando esse adulto trai uma criança, denigre sua imagem, e a macula, essa criança perde a concepção do seu próprio ser; e o pior, passa a ver todo adulto como uma ameaça à sua existência, uma violação à sua moral. E ela, coitada, perde totalmente o rumo, fica perdida, sem saber ou sem querer mais crescer. Ela não quer se tornar naquele monstro que a violentou.
Ela esperava que aquele adulto a conduzisse do escuro para a luz, e se entregou confiante a essa pessoa, mas, de repente, percebe que a pessoa, ao invés de levá-la para a luz, na verdade, estava era aprofundando-a, mais e mais, para as trevas... para molestá-la de modo vil e brutal, e depois abandoná-la. E, sozinha, enfraquecida e desolada, a criança fica sem caminho e sem rumo pra voltar.
Se pelo menos um dos meus pai estivessem lá pra me proteger, ou ao menos para socorrer e me trazer de volta para casa, me tratar, parar a dor, sanar as feridas e me dar colo e amor, tudo isso teria feito uma diferença inigualável e, quem sabe, suplantado todo o mal causado. Mas onde estavam meus protetores? Essa foi uma pergunta que me atormentou por tanto tempo, e que me causou tanta tristeza e desolação. E será que Deus, como o Pai Celestial, estava ciente do tamanho do abismo que aquele acontecimento abriu entre nós?
Passei muito tempo achando que não existia resposta fácil para a minha dor. E ainda acho que não existe, nem resposta e nem varinha mágica capaz de fazer com que toda aquela cena se apague da minha mente, ou que o quadro se reverta. A mente humana é tão misteriosa e profunda quanto Aquele que a criou. A cura e a restauração, portanto, somente Ele, o Pai, pode efetuar. Mas isso custa tempo.
Pra começar, é preciso ter em mente que, o que aconteceu, aconteceu, que "águas passadas não movem moinho". Não há como reverter uma cena real. Não se trata de uma cena de filme que é possível deletar. É, também, crucial tirar do caminho os questionamentos infrutíferos, que só alimentam a dor e a revolta, e assim, fazer com que as coisas do coração fiquem mais fáceis de ser trabalhadas. Chorar e lamentar são inevitáveis e até necessários, mas não geram a cura.
É preciso buscar um remédio. E o remédio é voltar para os braços eternos do Pai. Mas eu precisava estar pronto. E Deus sabia disso. O Pai, com certeza e na hora certa, iria abrir a porta para eu passar.
VOCÊ SABE AMAR?
Tradução e adaptação : Osvaldo Filho
Você sabe amar?
Eu estou aprendendo.
Estou aprendendo a aceitar as pessoas,
Mesmo quando elas me desapontam,
Quando fogem do ideal que tenho para elas,
Quando me ferem com palavras ásperas ou ações impensadas.
É difícil aceitar as pessoas como elas são,
Não como eu desejo que elas sejam,
É difícil, muito difícil , mas estou aprendendo.
Estou aprendendo a amar.
Estou aprendendo a escutar,
Escutar com os olhos e ouvidos,
Escutar com a alma
E com todos os sentidos.
Escutar o que diz o coração,
O que dizem os ombros caídos,
Os olhos, as mãos irrequietas.
Os olhos, as mãos irrequietas.
Escutar a mensagem que se esconde
entre as palavras corriqueiras, superficiais;
entre as palavras corriqueiras, superficiais;
Descobrir a angústia disfarçada,
A insegurança mascarada,
A solidão encoberta.
Penetrar o sorriso fingido,
A alegria simulada, a vangloria exagerada.
Descobrir a dor de cada coração.
Aos poucos, estou aprendendo a amar.
Estou aprendendo a perdoar
Pois o amor perdoa, lança fora as magoas, e apaga as cicatrizes
que a incompreensão e insensibilidade gravaram no coração ferido.
que a incompreensão e insensibilidade gravaram no coração ferido.
O amor não alimenta magoas com pensamentos dolorosos.
Não cultiva ofensas com lástimas e autocomiseração.
O amor perdoa, esquece,
extingue todos os traços de dor no coração.
extingue todos os traços de dor no coração.
Passo a passo, estou aprendendo a perdoar, e assim, a amar .
Estou aprendendo a descobrir o valor que se encontra
Dentro de cada vida, de todas as vidas,
Valor soterrado pela rejeição,
Pela falta de compreensão, carinho e aceitação,
pelas experiências duras vividas ao longo dos anos,
Pela falta de compreensão, carinho e aceitação,
pelas experiências duras vividas ao longo dos anos,
Estou aprendendo a ver nas pessoas, a sua alma,
E as possibilidades que Deus lhes deu.
Estou aprendendo,
Mas como é lenta a aprendizagem !
Como é difícil amar...
Amar como Cristo amou !
Amar como Cristo amou !
Todavia, tropeçando, errando, estou aprendendo...
Aprendendo a pôr de lado
As minhas próprias dores,
Meus interesses, minha ambição, meu orgulho
Quando estes impedem o bem-estar
E a felicidade de alguém !
Oh! Deus!
Oh! Deus!
Como é duro o aprendizado do amar !!!
A ÁRVORE DAS MINHAS MÉMORIAS PERDIDAS
A ÁRVORE DAS MINHAS MEMÓRIAS PERDIDAS
Por Osvaldo Honório Filho
Há coisas que a gente não tem como deixar de lembrar. É como um cheiro que se impregna, e, por mais que a gente tente se livrar, lá está ele, exalando o seu cheiro. Ou como aquela música, que você acorda com ela na cabeça e passa o dia inteiro cantarolando, mesmo sem conhecer toda a letra, ou mesmo que não goste dela. Ou como pimentão na comida – dizem até que é bom para memória, pois depois de comê-lo, você passa o dia inteiro lembrando de tudo que comeu. Certas lembranças são exatamente assim.
Eu mesmo tenho memórias que carrego desde a minha infância. E, às vezes, até me assusto, não com o fato de poder lembrar, mas com a riqueza de detalhes com que elas vêm. Na verdade, acho que tenho memórias de tempos que nem mesmo existiram. Por exemplo, eu tenho lembranças de situações que parecem ter acontecido comigo. Parecem? Sim! Digo parecem, por que, ao buscar os fatos, as datas e os participantes, não os encontro. É como um episódio extra-temporal. Não se trata de ficção. Algo acontece diante dos meus olhos e, de repente, vem uma sensação de que aquela cena está se repetindo. É estranho, porque se me pergunto “quando e onde”, não encontro resposta. Daí, me pergunto de novo, porque, então, essa sensação tão forte, tão real, tão vigente, se nunca aconteceu? Eu seria capaz de falar do que senti, mas como não tenho como provar o “onde e o quando” (pois disso não há memória), aí eu deixo passar. Com certeza, ficaram na árvore das minhas memórias perdidas.
Mas de que memória eu estava mesmo falando? bom, acho que estava me referindo às memórias, das quais posso lembrar o dia e o lugar. Se bem que, já há muito, estou convencido que, se sou bom (e sou) em relatos, fatos e acontecimentos, por outro lado, não sou lá muito bom de guardar nomes e descrições. Às vezes, passo por momentos de grande constrangimento, quando me deparo com pessoas tão familiares, de convivências antigas, e elas, cheias de alegria e disposição , vêm a mim sorridentes e saudosas com um “oi, Osvaldo, que bom ver você de novo!...” e eu... eu sei que as conheço. Sou capaz até de dizer onde nos conhecemos, etc e tal, mas o nome – eu não consigo lembrar.
Alguém já disse que “a natureza interior de uma pessoa é expressa no nome”, outro disse que “o nome de uma pessoa é a impressão da sua natureza, e a expressão da impressão que sua natureza faz.” E eu me pergunto, será que eu não lembro dos nomes dessas pessoas, porque não me causaram nenhuma impressão? se for assim, acho que esta parte ficou, também, na árvore das minhas memórias perdidas.
Você pode até estar se identificando comigo, mas isso é terrível, principalmente pra quem ja lhe conhece a tanto tempo. Daí, busquei um meio de tentar superar essa minha “falta de impressão.” É o seguinte – isso, talvez, ajude a outros também - quando conheço uma nova pessoa, eu explico logo o meu problema com nomes, e peço desculpas, caso eu pergunte, na mesma conversa o “como é mesmo o seu nome?” O truque ou o método consiste em escrever o nome da pessoa, assim que a conhecer. Simples assim! Escrevo na mão, num papel, na parede (com o dedo mesmo!), no chão, onde for. Talvez você ache isso tolo, mas funciona. Vou explicar. Por eu ser bom em lembrar fatos e acontecimentos, isso me ajuda da seguinte maneira: para escrever, a gente precisa de caneta e papel, certo? Ou seja, algo para e onde escrever. Isso acaba se transformando em um acontecimento. Assim, toda vez que quero lembrar o nome de uma pessoa, eu rapidamente lembro do momento que eu escrevi o seu nome, e pronto. Comigo funciona mesmo. Aprendi com as vergonhas que passei.
Gente! Já falei de tanta besteira, mas ainda não cheguei nas memórias. De que memórias eu quero mesmo falar? Isso pode dar um tratado, quiçá uma tese. O que são memórias? Por que elas ocorrem? Onde se armazenam? Que valor têm para o individuo e para a coletividade? Alguém disse que uma pessoa sem memória é uma pessoa sem história. Por que?
Vamos continuar esse papo mais tarde, e fique livre para comentar.
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