OHSFilho
A idéia de buscar em alguém o remédio para nossas infelicidades, sejam elas passadas ou presentes, é carga pesada demais para o outro carregar. É como exigir de um frágil ser humano a competência de um Deus. O amor deve partir do princípio de que preciso encontrar, primeiro, a mim mesmo, para, depois, encontrar a minha alma gêmea, que a essa altura também já deve ter-se encontrado consigo mesma.
O que vemos, muitas vezes, é uma exigência que incide até em um artifício, de deixar de ser você mesmo, abandonar suas características e se moldar ao ideal do outro. E isso não se refere ao gênero (masculino ou feminino), e sim, ao poder de manipulação, que uma pessoa tem, de querer modificar o que o outro tem de mais precioso: a sua individualidade.
Dizer que o que atrai é um ter que dar o que o outro não tem; ou ter que saber o que o outro não sabe; se um for manso, o outro deve ser bravo; se um for afável, o outro deve ser agreste; se um é romântico, o outro deve ser patético, pode até ser um idéia prática de sobrevivência, mas não há nada de prático nisso, e nem de romântico, por sinal.
A palavra de ordem é: “Sou carente e preciso ser amado,” bem amado, vale dizer. Trocamos o amor de necessidade pelo amor de carência e desejo. Gostamos e queremos ser amados e desejados, mas com uma condição: tem que ser do modo que pensamos e do jeito que queremos. E quando não o conseguimos, a frustração aumenta e, falando sério, no final das contas, nem mesmo sabemos qual a nossa verdadeira necessidade – o que é bem diferente.
Preservar sua individualidade não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não produz nada de si mesmo. Ele não tem energia própria nem mesmo para se auto-motivar. E o pior, é acaba exigindo um esforço demasiado do outro, esforço moral, mental, emocional ou espiritual.
A forma de amar, no entanto, tem sua própria conotação e significado. Visa a aproximação de dois inteiros e não a junção de duas metades. E isso só é possível para quem consegue trabalhar sua personalidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver bem consigo mesmo, mais preparado estará para uma relação afetiva a dois.
Relações de dominação, proibição ou concessões exageradas não fazem bem a ninguém. Cada cérebro é único. Cada pessoa é um indivíduo. O modo de pensar e agir de um não serve de referência para avaliar ou modificar o outro.
Muitas vezes pensamos que o outro é a nossa “alma gêmea”. E não há nada de errado nisso. Mas o nosso grande erro é que inventamos esta pessoa ao nosso gosto, e quando não sai a contento, ficamos frustrados e descontentes.
O amor entre duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação não há amarras, grilhões nem algemas. Há, sim, o aconchego, o prazer da companhia, e o respeito e o desfrute do ser amado. E quando houver falhas, faltas, deslizes ou desacordos, nem sempre é suficiente ser perdoado ou perdoar de imediato. É preciso aprender a perdoar a si mesmo primeiro, para, então, buscar uma reconciliação. Na maioria dos casos, quando sentimos raiva de quem amamos, é simplesmente para camuflar a raiva que temos de nós mesmos.
Devemos, então, aprender a ser, antes de tudo, inteiros, e só assim gozaremos de uma relação saudável com quem desejamos compartilhar o amor.
Perfeita!
ResponderExcluirEsta deveria ter sido escrita por mim, essa é a minha concepção hoje de uma relação a dois, mas para chegar a essa conclusão tive que passar pelo processo de cura, perdão, resgatar meus valores que foram negligenciados. Deus manifestou o Seu sobrenatural no meu interior, mas para isso tive que querer e permitir o Seu trabalhar... E o esse processo foi muito dolorido, mas valeu apena, hoje sou muito feliz mesmo sem um companheiro e tenho certeza de quando o encontrar será para somar e não para iniciar uma felicidade, não tenho pressa, prendi a descansar e ser simplesmente feliz.
PARA FAZER ALGUÉM FELIZ, É FUNDAMENTAL RECONHECER QUE A FELICIDADE ESTA EM DE CADA UM DE NÓS.
Bjs querido!!!! Que Papai do Céu continua te usando.
eu estava mesmo precisando de uma mensagem como esta. Me separei a 5 anos e achei que não ia sobreviver a separação... agora entendo que se a gente não entra inteiro na vida de uma pessoa, ao sair a gente fica pior ainda: em gragalhos. Hoje estou bem melhor, e este seu artigo me deu dicas maravilhosas.
ResponderExcluirParabens e muito obrigada. Nely
obrigado a voces pelos comentarios e espero que mais pessoas venha a ser alcançadas...
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