sexta-feira, 31 de julho de 2015

A OFERTA MISSIONÁRIA DO CRENTE

A OFERTA MISSIONÁRIA DO CRENTE

Por Osvaldo Filho

"Vocês foram os únicos a comungarem comigo no sentido de dar e receber" (Fil 4:15)

Em tudo as Escrituras são muito práticas. Até mesmo os sacrifícios espirituais oferecidos pelos crentes não são sacrifícios exclusivamente na esfera da vida intelectual, mental e emocional; não são somente orações, intercessões, louvores ou meros sentimentos e pensamentos abstratos, mas principalmente "espirituais", ou seja, no mesmo sentido que a palavra tem na expressão do apóstolo Paulo sobre os "dons espirituais" (I Cor 12:1). Do mesmo modo, aqui também os sacrifícios "espirituais" implicam em ações “cheias de Espírito”, ou, “moldadas pelo Espírito” no que diz respeito às orações, súplicas, ações de graças, adoração. E no reino de Deus, até mesmo o dinheiro é uma questão espiritual.
Neste serviço sacrificial e espiritual do crente, estão inseridas também as ofertas de contribuições regulares e especiais para o trabalho do Senhor, tanto no serviço local, como no serviço missionário.
Infelizmente o que vemos é uma ilusória dicotomia quando se trata de dizimar e ofertar. Nós, os crentes, vemos no dízimo uma certa “obrigatoriedade”, um dever a ser cumprido, mas quando se trata de ofertar para outros fins e para o trabalho missionário, muitas vezes, o que temos é uma evidente baixa muito difundida, ou seja,  um modo generalizado de pensar e agir quase primitivo, e totalmente indigno do reino do Deus.
O que eu quero dizer com isso é que ofertar para o trabalho missionário não se trata de uma simples “caridade cristã”, ou uma oferta especial e ocasional, coletada em um dia preestabelecido para esse fim, para ser dada a um grupo de necessitados, para não dizer aos missionários.
Uma coisa que precisamos ter em mente, é que os missionários fazem tão parte do ministério da igreja quanto os ministros e pastores, e por isso, não são nem pedintes e nem receptores de “gorjetas”. Se os missionários tivessem permanecido em suas vidas seculares, como estudiosos ou cientistas, donos de empresas ou homens e mulheres de negócios, engenheiros ou funcionários, médicos ou artistas, empregados de escritórios ou artesãos, muitos deles poderiam ser bem sucedidos em suas carreiras, ganhando um salário digno e compensador.
 Mas a grande diferença está no fato de eles terem ouvido o Chamado do Alto, o qual eles voluntariamente atenderam e dedicam toda a sua vida no Serviço da Grande Comissão. Definitivamente, o trabalho do evangelho não teria progredido no mundo, se, em cada geração, homens e mulheres não oferecessem todo o seu tempo, força e dedicação ao Serviço do Senhor que os chamou. Evidentemente não apenas o trabalho missionário, mas também muitos ramos da igreja evangélica, como a proclamação do evangelho e as campanhas evangelísticas teriam sido impossíveis. Com certeza, somente pessoas de tempo integral, e plenamente capacitadas é que podem cumprir essa tarefa terrena. E os que falharem numa vocação como esta, não estão aptos para trabalharem produtivamente nos Campos do Senhor.
De acordo com o Novo Testamento, sustentar financeiramente o trabalho missionário é dever da igreja através de cada crente. Não é uma mera escolha, e sim, um mandamento, uma questão de obediência prática (I Cor 9:14). E é pelo modo como realmente obedecemos a este mandamento divino que podemos ver até que ponto reconhecemos que Cristo é Senhor de nossas vidas.
Outra coisa que devemos refletir, é que sustentar o trabalho missionário através das nossas ofertas é uma resposta visível às bênçãos que recebemos, ou seja, uma comunicação de relação entre dar e receber, como Paulo escreveu aos filipenses, reconhecendo uma oferta enviada por eles para o trabalho missionário: "Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho... nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês" (Fil 4:15). Em outras palavras, uma ajuda material para missões redunda em bênçãos espirituais. E aos Coríntios, ele escreve: "Se nós semeamos para vós as coisas espirituais, não será de grande importância que colhamos coisas terrestres?" (I Cor 9:7-11).
Portanto, a oferta missionaria é uma expressão de nossa gratidão pela nossa redenção em Cristo, e pelo que o seu povo fez (no passado) e ainda está fazendo (hoje) em nosso favor. Cristo reivindica esse direito, e desobedecer a essa ordem é o mesmo que desprezar a sua autoridade. Na verdade, é roubar a Deus. "Roubará, pois, o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas." (Mal. 3:7-10).  Mas essa oferta não deve ser dada a contragosto, e sim "como cada um propor em seu coração, não com tristeza, ou por necessidade, pois Deus ama ao que dá com alegria." (II Cor 9:7). E, se os nossos corações estão cheios de gratidão e amor a Cristo, tudo isso será feito de forma digna de Deus. E mais que isso: quando damos, somos nós mesmo que ganhamos, como Jesus diz: "dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão." (Lc 6.38). É "o lucro inserido para o seu crédito" (Fil 4:17), na sua "conta de poupança" celestial, pois "o meu Deus, segundo as suas riquezas dará a cada um, tudo o que vós necessitais em gloriosa plenitude por Cristo Jesus" (Fil 4:19).
Paulo também caracterizou as ofertas missionárias dos filipenses como "uma fragrância de cheiro suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus" (Fil 4:18). Quando ofertamos com uma atitude correta de coração e na medida certa, Deus se agrada. Você pode fazer um teste consigo mesmo e ver até onde você realmente entendeu a sua posição e participação no reino de Deus, examinando sua própria vontade em trazer as ofertas missionárias para a obra do Senhor. Não se decepcione com a atitude de outros para com o dinheiro que você leva ao Senhor. O Velho é o Novo Testamento fazem distinção clara de quem é falso ou verdadeiro na administração dos bens da Casa do Senhor (Miq 3:11, Atos 5). E Deus não os deixou impune, pois Deus não dá a sua glória a ninguém.
O mais lindo disso tudo, porém, é que sustentar o trabalho missionário é um privilégio e uma honra para o ofertante. Jesus disse: "usem as riquezas deste mundo ímpio para ganhar amigos, de forma que, quando as riquezas acabarem, estes (os amigos feitos) os recebam nas moradas eternas" (Lc 16:9). Como será maravilhoso quando as muitas conexões entre as vitórias alcançadas no campo missionário e a obra do Senhor em geral forem reveladas na eternidade. E que só a eternidade revelará! Que alegria e que grande honra será percebermos e entendermos, à luz da eternidade, que até mesmo o nosso simples dinheiro (sacrificial) teve tão grande participação na obra do Senhor, ajudando a espalhar as Boas Novas ou fazendo algum serviço para que vidas fossem conduzidas a Cristo. Que felicidade, então, no final, ver com toda a humildade que, enquanto o missionário lutava e conquistava a vitória, você, sim você, pela graça de Deus, foi o seu parceiro combatente, longe do campo de batalha, talvez, mas ao mesmo tempo perto através do seu apoio em intercessão e ofertas voluntárias e sacrificiais. Essa alegria e honra é o resultado abençoado daquele que realmente pertence a Cristo. E isso jamais lhe será roubado.


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