A OFERTA MISSIONÁRIA DO CRENTE
Por Osvaldo Filho
"Vocês foram os únicos a comungarem comigo no sentido de dar e
receber" (Fil 4:15)
Em tudo as Escrituras são muito práticas. Até mesmo os sacrifícios
espirituais oferecidos pelos crentes não são sacrifícios exclusivamente na
esfera da vida intelectual, mental e emocional; não são somente orações,
intercessões, louvores ou meros sentimentos e pensamentos abstratos, mas
principalmente "espirituais", ou seja, no mesmo sentido que a palavra
tem na expressão do apóstolo Paulo sobre os "dons espirituais" (I Cor
12:1). Do mesmo modo, aqui também os sacrifícios "espirituais"
implicam em ações “cheias de Espírito”, ou, “moldadas pelo Espírito” no que diz
respeito às orações, súplicas, ações de graças, adoração. E no reino de Deus,
até mesmo o dinheiro é uma questão espiritual.
Neste serviço sacrificial e espiritual do crente, estão inseridas também
as ofertas de contribuições regulares e especiais para o trabalho do Senhor,
tanto no serviço local, como no serviço missionário.
Infelizmente o que vemos é uma ilusória dicotomia quando se trata de
dizimar e ofertar. Nós, os crentes, vemos no dízimo uma certa
“obrigatoriedade”, um dever a ser cumprido, mas quando se trata de ofertar para
outros fins e para o trabalho missionário, muitas vezes, o que temos é uma
evidente baixa muito difundida, ou seja, um modo generalizado de pensar e
agir quase primitivo, e totalmente indigno do reino do Deus.
O que eu quero dizer com isso é que ofertar para o trabalho missionário
não se trata de uma simples “caridade cristã”, ou uma oferta especial e
ocasional, coletada em um dia preestabelecido para esse fim, para ser dada
a um grupo de necessitados, para não dizer aos missionários.
Uma coisa que precisamos ter em mente, é que os missionários fazem tão
parte do ministério da igreja quanto os ministros e pastores, e por isso, não
são nem pedintes e nem receptores de “gorjetas”. Se os missionários tivessem
permanecido em suas vidas seculares, como estudiosos ou cientistas, donos de
empresas ou homens e mulheres de negócios, engenheiros ou funcionários, médicos
ou artistas, empregados de escritórios ou artesãos, muitos deles poderiam ser
bem sucedidos em suas carreiras, ganhando um salário digno e compensador.
Mas a grande diferença está no fato de eles terem ouvido o Chamado
do Alto, o qual eles voluntariamente atenderam e dedicam toda
a sua vida no Serviço da Grande Comissão. Definitivamente, o trabalho do
evangelho não teria progredido no mundo, se, em cada geração, homens e mulheres
não oferecessem todo o seu tempo, força e dedicação ao Serviço do Senhor que os
chamou. Evidentemente
não apenas o trabalho missionário, mas também muitos ramos da igreja
evangélica, como a proclamação do evangelho e as campanhas evangelísticas
teriam sido impossíveis. Com certeza, somente pessoas de tempo integral, e
plenamente capacitadas é que podem cumprir essa tarefa terrena. E os que falharem
numa vocação como esta, não estão aptos para trabalharem produtivamente nos
Campos do Senhor.
De acordo com o Novo Testamento, sustentar financeiramente o trabalho
missionário é dever da igreja através de cada crente. Não é uma mera escolha, e
sim, um mandamento, uma questão de obediência prática (I Cor 9:14). E é pelo
modo como realmente obedecemos a este mandamento divino que podemos ver até que
ponto reconhecemos que Cristo é Senhor de nossas vidas.
Outra coisa que devemos refletir, é que sustentar o trabalho missionário
através das nossas ofertas é uma
resposta visível às bênçãos que recebemos, ou seja, uma comunicação de relação
entre dar e receber, como Paulo escreveu aos filipenses, reconhecendo uma
oferta enviada por eles para o trabalho missionário: "Como vocês sabem,
filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho... nenhuma igreja partilhou
comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês" (Fil 4:15). Em
outras palavras, uma ajuda material para missões redunda em bênçãos
espirituais. E aos Coríntios, ele escreve: "Se nós semeamos para vós as
coisas espirituais, não será de grande importância que colhamos coisas
terrestres?" (I Cor 9:7-11).
Portanto, a oferta missionaria é uma expressão de nossa gratidão pela
nossa redenção em Cristo, e pelo que o seu povo fez (no passado) e ainda está
fazendo (hoje) em nosso favor. Cristo reivindica esse direito, e desobedecer a
essa ordem é o mesmo que desprezar a sua autoridade. Na verdade, é roubar a
Deus. "Roubará, pois, o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em
que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas." (Mal. 3:7-10). Mas essa oferta não deve ser dada a contragosto, e
sim "como cada um propor em seu coração, não com tristeza, ou por
necessidade, pois Deus ama ao que dá com alegria." (II Cor 9:7). E, se os
nossos corações estão cheios de gratidão e amor a Cristo, tudo isso será feito
de forma digna de Deus. E mais que isso: quando damos, somos nós mesmo que
ganhamos, como Jesus diz: "dai, e ser-vos-á dado; boa medida,
recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão." (Lc
6.38). É "o lucro inserido para o seu crédito" (Fil 4:17), na sua
"conta de poupança" celestial, pois "o meu Deus, segundo as suas
riquezas dará a cada um, tudo o que vós necessitais em gloriosa plenitude por Cristo
Jesus" (Fil 4:19).
Paulo também caracterizou as ofertas missionárias dos filipenses como
"uma fragrância de cheiro suave, um sacrifício aceitável e agradável a
Deus" (Fil 4:18). Quando ofertamos com uma atitude correta de coração e na
medida certa, Deus se agrada. Você pode fazer um teste consigo mesmo e ver até
onde você realmente entendeu a sua posição e participação no reino de Deus,
examinando sua própria vontade em trazer as ofertas missionárias para a obra do
Senhor. Não se decepcione com a atitude de outros para com o dinheiro que você
leva ao Senhor. O Velho é o Novo Testamento fazem distinção clara de quem é
falso ou verdadeiro na administração dos bens da Casa do Senhor (Miq 3:11, Atos
5). E Deus não os deixou impune, pois Deus não dá a sua glória a ninguém.
O mais lindo disso tudo, porém, é que sustentar o trabalho missionário é
um privilégio e uma honra para o ofertante. Jesus disse: "usem as riquezas
deste mundo ímpio para ganhar amigos, de forma que, quando as riquezas
acabarem, estes (os amigos feitos) os recebam nas moradas eternas" (Lc
16:9). Como será maravilhoso quando as muitas conexões entre as vitórias
alcançadas no campo missionário e a obra do Senhor em geral forem reveladas na
eternidade. E que só a eternidade revelará! Que alegria e que grande honra será
percebermos e entendermos, à luz da eternidade, que até mesmo o nosso simples
dinheiro (sacrificial) teve tão grande participação na obra do Senhor, ajudando
a espalhar as Boas Novas ou fazendo algum serviço para que vidas fossem
conduzidas a Cristo. Que felicidade, então, no final, ver com toda a humildade
que, enquanto o missionário lutava e conquistava a vitória, você, sim você,
pela graça de Deus, foi o seu parceiro combatente, longe do campo de batalha,
talvez, mas ao mesmo tempo perto através do seu apoio em intercessão e ofertas
voluntárias e sacrificiais. Essa alegria e honra é o resultado abençoado
daquele que realmente pertence a Cristo. E isso jamais lhe será roubado.
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